O São Paulo Futebol Clube está passando por um período crítico em seu administrativo e político, com a votação do impeachment do presidente Julio Casares marcada para a próxima sexta-feira (16).
Concomitante a essa situação, um inquérito da Polícia Civil está em curso para investigar possíveis irregularidades financeiras sob a gestão do clube. A apuração ganhou notoriedade após uma matéria no Fantástico e iniciou-se por uma denúncia anônima. Segundo o delegado Tiago Correia, foi levantada a suspeita de “desvios estruturados e sistemáticos no São Paulo Futebol Clube”.
Nelson Marques Ferreira, ex-diretor-adjunto até novembro do ano passado, é um dos citados no inquérito. Detectou-se que, entre 2022 e 2023, ele criou aproximadamente 15 empresas em shoppings, acendendo alertas para análises mais detalhadas das transações financeiras do clube.
Neste contexto, o delegado especificou: “Acionamos o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o COAF, em relação ao clube, que por sua vez pode ser uma vítima”.Movimentação de Dinheiro e Investigações
Análises nas contas do clube mostraram 35 saques em espécie totalizando R$ 11 milhões de 2021 a 2025. Os saques inicialmente foram realizados por um ex-funcionário e posteriormente, o clube contratou uma empresa especializada para essa coleta direta com o banco.
O ano de 2024 foi o que teve o maior volume, com 11 saques totalizando R$ 5,2 milhões. Além disso, investiga-se uma conta conjunta de Julio Casares e sua ex-esposa, Mara Casares, com suspeitas de depósitos em espécie de cerca de R$ 1,5 milhão entre janeiro de 2023 e maio de 2025.
Sobre a venda clandestina de camarotes no estádio do Morumbi, um áudio revelado de Douglas Schwartzmann sugere que Mara teria confirmado a segurança da operação.
Defesas se Pronunciam
As defesas dos acusados refutam as acusações. Os advogados de Julio Casares argumentam que não há relação entre os depósitos pessoais do presidente e os saques do clube, e que os valores são de origem legítima. Em paralelo, a defesa de Mara e Douglas alega que o áudio foi descontextualizado.
Do lado institucional, a defesa do São Paulo alega que o clube não é foco da investigação e que os saques são devidamente registrados e usados para despesas do dia a dia, como “arbitragem, alimentos, bebidas e outras necessidades”.