Em um seminário sobre investigação de homicídios realizado pelo Instituto Sou da Paz em São Paulo, o promotor Danilo Pugliese, membro do Gaeco, salientou a importância da análise de gênero em casos de feminicídio.
Durante o evento, ele mencionou ter encontrado padrões de linguagem associados a grupos misóginos nas mensagens de WhatsApp do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso pela morte de sua esposa, Gisele Alves Santana, de 33 anos. Esses padrões, segundo ele, são comuns em investigações de crimes digitais misóginos.
Discurso misógino estrutural
O promotor explicou que o vocabulário usado pelo tenente-coronel visava diminuir a mulher, colocando-a em uma posição de subordinação ao homem, características frequentes em grupos misóginos virtuais. Pugliese enfatizou que o uso desse tipo de linguagem em diferentes contextos realça a expansão dessa retórica discriminatória na sociedade.
Pugliese participou da investigação sobre a plataforma Discord em 2023, liderada pelo Ministério Público de São Paulo, focada em crimes contra menores, incluindo violência sexual e incentivo a comportamentos autodestrutivos entre jovens mulheres.
Misoginia se espalha
O promotor ressaltou que a misoginia era uma constante nesses inquéritos e destacou como esse comportamento estava se alastrando por diversas plataformas digitais em todo o país, inicialmente observado em um único meio.