Em um emocionante relato, Diogo Barros Brollo, de 35 anos, que ficou paraplégico após um acidente no Rio de Janeiro, contou como conseguiu mover seu pé após usar um medicamento experimental chamado polilaminina, desenvolvido pela UFRJ. Até agora, o medicamento já ajudou outros três pacientes e desencadeou uma onda de ações judiciais de indivíduos buscando acesso ao mesmo tratamento.
"Foram duas semanas após a primeira aplicação que comecei a sentir as primeiras respostas no meu corpo," disse Diogo, que sofreu uma severa lesão medular após uma queda de um prédio durante o trabalho. Ele conseguiu através da justiça o direito de usar a polilaminina e enfatizou que o movimento de seu pé foi uma ação voluntária, e não um reflexo involuntário.
Diogo é vidraceiro e pai de três filhas. Ele expressou profunda gratidão pela oportunidade que teve, acreditando no sucesso dos estudos liderados pela Doutora Tatiana da UFRJ. "É uma grande chance que tive. Ver meu pé se mover foi incrivelmente emocionante," complementou.
O medicamento, uma versão sintética da proteína laminina, está em estudo há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e visa regenerar lesões na medula espinhal. Durante os testes pré-clínicos, a substância mostrou resultados promissores ao ser aplicada em animais e em pacientes selecionados que sofreram lesões vertebro-medulares severas.
Além dos avanços com Diogo, outros pacientes que receberam a polilaminina também relataram melhoras significativas. Luiz Fernando Mozer, outro paraplégico, teve sensibilidade e capacidade muscular melhoradas após o tratamento. O neurocirurgião Bruno Alexandre Côrtes explicou que ambos receberam o tratamento em pequenos intervalos após seus acidentes, o que pode ter contribuído para os resultados positivos observados.
Devido ao potencial promissor observado, 10 liminares já foram emitidas pela justiça para que outros pacientes paraplégicos possam receber o tratamento. Seis dessas ordens foram implementadas, com mais intervenções programadas em diversas cidades brasileiras. O laboratório Cristália apoiou a pesquisa e agora aguarda aprovação da Anvisa para iniciar os testes oficiais do medicamento.
"Essa iniciativa representa uma inovação na medicina regenerativa que poderia, se comprovada eficaz, ser implementada no SUS para benefício de inúmeros brasileiros que sofrem de lesões similares," comentou um porta-voz do Ministério da Saúde.