Localizada no Sul da Ilha, em Florianópolis, Dona Ondina Maria de Siqueira, aos 94 anos, é reconhecida como a benzedeira mais antiga de Santa Catarina. Em sua residência, ela acolhe pessoas que buscam auxílio para eliminar o mau-olhado e tratar de certas enfermidades através de suas benzeduras.
As benzedeiras, como Dona Ondina, historicamente foram a primeira opção para tratar dores e desconfortos antes que médicos fossem facilmente acessíveis. Essa prática combina elementos de fé, oração e tradição cultural, passando de geração em geração, apesar de sua presença ter diminuído significativamente ao longo do tempo.
Iniciando seus benzimentos ainda na infância, Dona Ondina se destaca na comunidade por continuar ativa em sua prática. Ela se tornou tema de um livro e relata que chegou a atender até 90 pessoas em um único dia.
Benzedeira desde pequena
Dona Ondina aprendeu a benzer de maneira autodidata aos 9 anos de idade enquanto brincava. Ao notar que sua amiga sofria com uma dor na perna, diagnosticada como um cobreiro, ela intuitivamente usou ervas locais e uma oração para aliviar o sofrimento da amiga, o que realmente trouxe melhoras significativas.
Rosário para crianças e sementes para adultos
Mantendo os métodos que aprendeu ao longo da vida, Dona Ondina utiliza um rosário para benzer crianças até 10 anos e um colar de sementes conhecidas como lágrima-de-nossa-senhora para adultos. Suas sessões são marcadas por orações suaves e o sinal da cruz, elementos típicos dessa prática ainda visível em localidades mais antigas e rurais.
Dona Ondina enfatiza a importância da fé em seu trabalho. Mesmo nos momentos de descanso, ela se levanta para benzer quem a procura, destacando sua dedicação às suas crenças e à comunidade.
Casa recebeu dezenas de pessoas no mesmo dia
Com sua reputação, Dona Ondina já recebeu inúmeras pessoas procurando sua ajuda em um único dia, fazendo de sua casa um ponto de referência para aqueles que desejam preservar a tradição.
O que faz uma benzedeira
Com orações e rituais, as benzedeiras como Dona Ondina destinam-se a solucionar dores e problemas espirituais, utilizando objetos como plantas, água e ícones religiosos. Apesar de menos comum atualmente, essa prática persiste em algumas regiões como um testemunho vivo da cultura popular brasileira.
Tradição tem diminuído ao longo dos anos
A prática das benzedeiras tem enfrentado um declínio com o crescimento urbano e os avanços na acessibilidade médica. Entretanto, pessoas como Dona Ondina garantem que essas tradições não se percam completamente, transmitindo-as a novas gerações por meio de exemplos vivos e narrativas como as contidas em livros.