Pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolveram moléculas em laboratório capazes de eliminar células de câncer cerebral. Publicado na revista ACS Omega, o estudo revelou a eficácia dessas moléculas em testes iniciais com glioma e glioblastoma.
O ponto de partida foi um remédio já usado contra cânceres hematológicos, que foi modificado para atingir tumores sólidos, que normalmente têm uma resposta mais limitada às terapias existentes.
Dentre as substâncias desenvolvidas, duas se destacaram na destruição das células tumorais, inclusive atuando em células-tronco de glioblastoma, notórias pela resistência aos tratamentos convencionais.
Origem das novas moléculas
No decorrer de seu doutorado, a cientista Luciana Costa Furtado e sua equipe utilizaram o medicamento belinostate como base, sintetizando 11 compostos semelhantes. Isso permitiu expandir o espectro de ação contra os tumores cerebrais.
A equipe buscou modificar a estrutura química do fármaco para aprimorar a interação com alvos moleculares nas células tumorais e superar os desafios de penetração nos tecidos cerebrais observados com tratamentos para tumores sólidos.
Testes realizados
Nos testes iniciais, quatro moléculas tiveram um impacto significativo na indução da morte das células tumorais, com duas avançando para análises mais profundas após demonstrarem atividade superior.
Uma molécula, pertencente à classe dos ácidos hidroxâmicos, mostrou resultados consistentes em exterminar as células cancerígenas. Estes testes também contemplaram células-tronco de glioblastoma.
Os resultados preliminares indicam que os compostos atuam em mecanismos ligados à sobrevivência das células tumorais, ampliando as possibilidades de tratamento futuro.
Simulações computacionais
Além dos testes de laboratório, o grupo fez modelagem computacional para estimar como as moléculas se comportariam no organismo humano. Essas simulações sugerem um perfil farmacocinético promissor, indicando potencial para atingir concentrações eficazes no cérebro.
Rede internacional de pesquisa
Este estudo envolveu uma colaboração internacional com instituições da Holanda e da Alemanha, reunindo especialistas de diversas áreas como química, biologia celular e modelagem computacional.
Próximos passos
Os resultados, ainda preliminares, exigem novos testes de eficácia e segurança antes de avançar para estudos clínicos.